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“Maraca” Sitiado

Esse “pequeno” entrave com a liberação do Maracanã nos mostra o que já sabemos, de longa data, mas que varremos para baixo da poeira que já está sob o tapete: temos baixíssima qualidade de gestão e capacidade de planejamento muito precária, ou não; pergunto-me sempre, obviamente de forma retórica, quem se beneficia do não cumprimento de tais “formalidades inconvenientes”. Sabemos. Assim como sabemos o modo com que o problema será solucionado – quando eu estava no Fundamental, lá pelos idos dos anos 90, tínhamos, durante as aulas de português, que conjugar verbos, decorar tempos verbais e essa bobagem toda. Hei de dizer que esse é o verbo mais praticado do país e em homenagem a “Tia Marlene”, que Deus a tenha, pois já deve ter partido dessa para outra com o ordenado de professora primária que recebia, conjugá-lo-ei: “Eu molho, Tu molhas, Ele molha, Nós molhamos, …,” e por ai vai! – Com as mãos, sim, as duas, devidamente encharcadas, faremos vistas grossas ao grosso serviço prestado, dando significado moderno à gasta, porém nunca fora de moda, expressão “Para inglês ver” o que nesse caso específico faz muito mais sentindo. Já estamos vacinados e situações semelhantes não nos chocam; certa vergonha nos dá, estou certo…, não? Nada de vergonha na cara? Se Lula ocupasse oficialmente o cargo que ainda representa diria: “Nunca na História desse país!”. É claro que nunca, e sabem por qual razão? Oras, somos o Brasil, o tal Gigante Adormecido, aquele com o Povo mais bonito, com o Futebol mais vistoso, com os Políticos mais pilantras, é quero dizer… acho que vão me pagar uma cota menor dessa vez.

Eduardo Candido Gomes

* Texto modificado de sua versão original; veja o conteúdo completo em http://eduardocandidogomes.tumblr.com/

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Quem pagará a conta?

Ao que parece, o legado deixado aos brasileiros pela Copa das Confederações de 2013, pela Copa do Mundo de 2014, pela Copa América de 2015 e pela Olimpíada – Rio/2016 será composto por imensas crateras criadas nos orçamentos das distintas esferas do poder público pelas gruas da impunidade e pelo “jeitinho” que nos é peculiar, sendo cobertas, costumeiramente, pelo suor e pelas palmas calejadas dos contribuintes. Teremos, infelizmente, doze pan-americanos realizados a toque de caixa, que medrarão os ralos privados dos oportunistas profissionais.

A ratificação da incompetência organizacional e administrativa de nossos líderes nos foi novamente exposta, sem rubores, durante entrevista concedida, no mês de setembro, pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, que sugeriu, conforme proposto no projeto de lei encaminhado ao Congresso Nacional, a instituição de feriados quando da realização das partidas do campeonato mundial, ou seja, a paralisação produtiva do país por período predeterminado pelo governo, para desse modo maquiar a deficiência das cidades sedes em seus meios de transporte e suas vias de acesso, estruturas que há muito apresentam problemas crônicos. 

A pergunta é: Quem pagará a conta dessa paralisação? Todos os dias de jogos serão feriados? No caso de São Paulo, local provável da abertura, como funcionaria? Qual seria o prejuízo estimado para os setores produtivos, principalmente para os pequenos comerciantes?

A surpresa positiva desse debate tem sido o desempenho do deputado federal Romário, cujo tom crítico e firme tem combatido o oba-oba com que a cúpula política do país tem tratado o tema. De acordo com Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados, as esferas que abrangem as obras necessárias para o torneio e as que definem as regras de regulamentação do país durante o evento são distintas.

Em entrevista ao portal G1 no dia 20 de setembro de 2011, Maia disse: “Acho que estamos confundindo alhos com bugalhos nesse tema. Uma coisa é a realização das obras e das ações para a Copa do Mundo (…) outra coisa são as regras que vão regular o funcionamento do país durante os eventos. Não vejo problema e não acho que isso [feriados em dias de jogos] tenha a ver com a fiscalização e com o trabalho que está sendo realizado para que todas as obras estejam prontas”, e concluiu: “Feriado sempre é bom”.

Faz-se necessário, por parte da população, o acompanhamento pormenorizado do controle dos gastos públicos com possíveis obras faraônicas, que serão posteriormente abandonadas, e com as ingerências promovidas pela CBF e pela FIFA, para que não tenhamos problemas semelhantes aos enfrentados pela Grécia pós-Atenas 2004.

 

Eduardo Candido