Arquivo do mês: abril 2013

O Triste fim de um solitário

… a barba está por fazer, o creme dental permanece aberto sobre a pia, a água corre, a agulha arranha o disco já terminado, formigas se deleitam reunidas sobre sobras de pão, o tabaco ainda se retorce; sobre o piano um copo de Gin, parcialmente sorvido, partituras, fotos, algumas, já descoloridas, que emergem sorrisos esquecidos. As horas se arrastam, o sol rompe a escuridão através de frestas da antiga janela, iluminando o lado esquerdo do corpo, nu, acariciado pelo tapete…

Eduardo Candido Gomes

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Noites Libertárias

Vivemos pelas noites libertárias de excessos incertos em busca de flertes, bocas e mãos inconsequentes, cujas ações são responsáveis por ardências inexplicáveis e por intensas paixões que duram uma música. Corpos torneados se insinuam, seduzem, revelam intimidades, regados a Veuve Clicquot! A dois passos do auge, sobre a pia, há parte da viagem não consumida; contíguo está o jeans da moda, o Ferragamo, o Rolex, o que sobrou de “um alguém” e suas alucinações, mesclados à urina, a escarros, a marcas que se perdem por entre os pés afoitos que ali transitam e pelos dedos que caçoam do infeliz derrotado por seus limites. Os amigos, também alterados, ainda desfrutam de sua comanda ilimitada. A luz surge e dá-se a hora de recolher os cacos dos menos resistentes. A noite regada a “sexo”, drogas, e nem sempre rock’n’roll chega ao fim e contamos os dias pela próxima aventura. Nós, os jovens, estamos sempre famintos por mais diversão.

Eduardo Candido Gomes

Tempos perdidos!

As palavras fora de contexto podem gerar – independente do lado em que seus emissores estejam – dor, sofrimento, ódio… O engraçado – e não me impressiona – é que nesses casos que temos visto, tais ações partam daqueles puritanos que se dizem seguidores de Deus, amantes de Jesus Cristo e que desejam, a qualquer custo, desfrutar do paraíso; acho, contudo, muito contraditório, já que o repúdio dessas classes vai de encontro ao que fora pregado por semelhantes figuras, cujas palavras são desvirtuadas pela cegueira decorrente de seus fanatismos. Ainda mais contraditório é, por conta de suas fobias, se dirigirem, de modo inescrupuloso, pregando a violência gratuita a todos que não partilham de suas visões de mundo, agindo de modo similar ao praticado pelos algozes que açoitaram as minorias cujos líderes, hoje aclamados, fizeram parte. Não há amor que possa explicar tantas perseguições, violências e desmandos. Se isso é o amor irrestrito ao próximo, pregado por muitas instituições, agradeço por minha posição agnóstica, pois me envergonharia defender tais afrontas contra a liberdade humana. Amo à minha maneira, e nela me completo. Faça o mesmo!

Não há necessidade de pensarmos o mundo da mesma forma, há, pois a necessidade de convivermos respeitando o espaço alheio, a cultura alheia, os credos alheios e a natureza de cada um. Dentro de minha cabeça, sou livre para ser o que quiser, mas em meio à sociedade, é preciso que conviva cordialmente com aqueles cujas idéias, sob meu ponto de vista, não fazem sentido. Esse país, não é católico, tem a maioria católica. Não quero pensá-lo como católico, ou evangélico, ou espírita, ou preto, ou branco, ou gay, ou hetero, quero pensá-lo como brasileiro civilizado.

Eduardo Candido Gomes