Arquivo da categoria: J. Camelo Ponte

Escritor e Professor Universitário

Verossímil

Os templos

estão antigos

e as palavras velhas.

 

Dizeres de pedras

atirados no grito

que se escancara

pelas ruas de gente,

natureza de rochas,

vivências de conchas

para fundir bocas de fogo.

 

J. Camelo Ponte

Agora

Agora posso SER quem sou,
alguém que olha e vê
que sente e pode pensar,
que abraça a verdade
e o sentimento da realidade
no mais profundo,
no mais guardado de mim.

Agora eu posso TER
horizontes, olhar e ver
céus, estradas, veredas,
estreitos… e caminhos,
rumos tantos de mim,
contíguos, lassos, exos,
na paisagem de cada texto,
no dizer de cada gesto,
no expressar de cada palavra,
no externar de cada emoção,
na dúvida de cada olhar,
no repousar de cada mão!

Eu que me olha
como quem desdenha
do tempo e espera,
no silêncio, o abraço
de quem nunca irá partir
porque, quando há silêncio,
fala-se ao coração,
e, quando há palavra,
falam-se ao espírito canções
Onipresentes de Amor,
Oniscientes de Vida,
Onipotentes de Luz.

Agora
não tenhamos pressa,
o passado, o futuro
estão no presente
e nosso viver é primavera,
musa no coração de Deus.

 

J. Camelo Ponte

Infinidade

A outra margem

da palavra

rio

translato,

subjacente,

visitado por andorinhas.

Rios e palavras brincam

de fazer de conta

que o azul nimbo

e o azul ametista

são da mesma fonte!!!

 

Um, silêncio

outro, grito!

 

Infinitude breve,

eternidade vaga.

 

J. Camelo Ponte

Priscas

Andorinhas sobrevoam ipês amarelos,

riscam o azul de uma tarde eterna

em vôos rasantes, lupes…

outras em minha direção velozes

desviam-se alegres ou tristes?!

 

 – As andorinhas já não moram no poema!

 

Ao ritmo do vento agitado

imensas ondas verdes e amarelas

lilases e roxas,

ipês dançantes

em coral

pertinentes

acalentam murmúrios

desfiam silêncios e linguagens híbridas

desafiam o concreto,

braços afoitos contra a estagnação,

antigos e harmônicos

no horizonte do quarto andar

da rua João Ramalho sem enfeites de natal.

 

– As andorinhas já não moram nos olhos de uma criança!

 

Um barco de concreto navega pelos instantes

alados que levam uma povoação de pensamentos

e o mundo embrulhado num papel de pão amassado.

 

– Andorinhas já não moram nas lembranças!

 

 Essa tardezinha perfumada, num bico de beija-flor

sob o trinar de pardais vai entrando pelos meus olhos algodoeiros,

vai ligeira buscar pelas lembranças os sóis castanhos de um olhar eterno

que mora na pragmática de uma linha recém-descoberta

de um signo preso no destino.

 

– As andorinhas já não moram nas capelas!

 

Multidões partilham essa viagem

e séculos habitam a exclamação dos meus olhos

que desvelam orações enfeitadas pelo vago, pelo díspare, pelo pouco,

pelo lento, pelo quase-e-tão-imóvel-sibilar-do-nada.

 

– As andorinhas já não moram nas igrejas!

 

Tantos milênios esperamos essa tarde

para assistirmos o único momento de uma borboleta

transformando-se em signo marcando o incognoscível.

Eis-nos aqui, tinta derramada no avental branco,

presente do f.uturo sem presente do passado,

idéia, pensamento, ação

em sintonia, em harmonia e equilíbrio

no silêncio e mistério da semente

 

– As andorinhas já não moram nos conventos!

 

Vivências desafiam teorias, conteúdos sobrecarregam a infância,

crianças taciturnas pelas ruas a mercê dos veículos ensandecidos

e seus pensamentos habitam arraias coloridas

e amarelinhas sem lugares para os céus

de onde voltarão com suas mochilas

sobrecarregadas de lições de casa.

 

– As andorinhas já não moram nas biqueiras!

 

 Ouve-se Ave Maria de Gounod

pelos corredores acadêmicos,

Bach ressurge das almeidas dos navios esquivos

e os mestres cantores de Nüreberg

Integram o coral de pássaros

adentram memórias e abraçam o vento,

 “Ave Maria, cheia de Graça… Deus é contigo!”.

 

– As andorinhas já não moram nas cavernas!

 

O vento e a palavra, o silêncio e a música

sobre as flores de um buquê carregado pelo entregador apressado

procurando o endereço esquecido

e o papel perdido na rotina da multidão.

 

– As andorinhas já não moram no instante!

 

O tempo e o espaço mergulham

em uma prisca do respingo

de uma gota levada pela abelha solitária.

 

– As andorinhas já não moram na poesia!

 

Dia e noite

abraçam ruas

e memórias contextuais.

Linguagens caleidoscópicas

em vias-sacras,

silêncio, palavra e mistério

à outra margem da palavra.

 

– Andorinhas já não moram em meus olhos.

 

J. Camelo Ponte

Alarido: Silêncio x Virtualidade além-mar

Prezados Professores Doutores

António Viriato Neto da Costa – Director Nacional Adjunto

Maria Cristina de Fátima Paiva Amaro de Carvalho

Emanuel da Silva Pinto

Eusébio Alberto Domingos

Nosso abraço brasileiro e nossa reafirmação do amor e crença pela educação – caminho para o futuro do presente dos nossos irmãos angolanos.

Agradecemos a atenção dispensada, carinho e cuidados antes, durante e após nossa apresentação do projeto à formação de professores angolanos cuja meta é capacitar 180 mil professores através do projeto: Formador de Formadores em conformidade com o Plano Nacional de Educação de Angola. O projeto tem por objetivo abarcar toda a população, em todas as províncias. A partir dessa perspectiva, nosso estudo, pesquisa, acuidade, foco e competência.

Concorremos “com mais de 186 projetos de vários outros países” conforme fomos informados após nossa apresentação. E nosso Projeto Formador de Formadores in: Biopsicoética da Educação por Competência conseguiu o “Aprovo” da Equipe Técnica de Educação Nacional do MED – Ministério da Educação de Angola, cujo processo seguiu para o Excelentíssimo Senhor Ministro da Educação. (Foto)

O fato de outras nações estarem envolvidas e, com esse afã, torna nosso trabalho um sonho – um sonho livre, “pois do outro lado da razão, há o desejo de ser livre, e ser livre não é carecer do outro, e não carecer do outro é estar sempre presente. – Caminhantes iremos pelos Caminhos que ensinam a sonhar sem medo e a perceber que, se um sonho é perigoso, a cura para ele não é sonhar menos, é sonhar mais, um sonho inteiro na sua plenitude” (Cf. PONTE, 2007), pois acreditamos que o verdadeiro caminho da liberdade é a educação.

Aguardamos a visita da equipe técnica conforme combinado por ocasião da apresentação do Seminário Angola 2011 – Formador de Formadores in: Biopsicoética da Educação por competência.

Agradecemos a equipe de apoio, administração, logística, técnicos e especialistas que debateram conosco a construção e definição do desenho final do macroprojeto.

Aproveito o ensejo para agradecer a Unyca – Comunicação e Educação a Distância, empresa do Grupo SEB, nas pessoas do Sr. Eduardo Gonçalves Machado, Ângela Machado e Alessandra Nogueira (foto) que recebe o aprovo das mãos do Dr. Viriato Neto, Presidente Nacional do Conselho Técnico de Educação ao fundo o Prof. Dr. Montanha, de empresa brasileira Costa Negócios que participou do evento.

Mais uma vez agradecemos a hospitalidade, visitas às escolas de Luanda para estudos do meio, entorno e pesquisa pedagógica.

Especial agradecimento ao escritor Ministro Antonio Burity, pelo acesso a sua biblioteca particular e à Biblioteca da Unia – Universidade Independente de Angola cujas ações ajudaram-me a concluir o projeto para o seminário, também nosso agradecimento ao Deputado Prof. Dr. João Pinto, pelos debates pertinentes à educação local, regional e global focada no projeto Biopsicoética da Educação por Competência que o vê como “uma atitude política na educação à excelência da educação em Angola” e nessa mesma perspectiva o projeto Excelência em Educação que será construído embasado em Biopsicoética da Educação por Competência.

 

J. Camelo Ponte