Quem pagará a conta?

Ao que parece, o legado deixado aos brasileiros pela Copa das Confederações de 2013, pela Copa do Mundo de 2014, pela Copa América de 2015 e pela Olimpíada – Rio/2016 será composto por imensas crateras criadas nos orçamentos das distintas esferas do poder público pelas gruas da impunidade e pelo “jeitinho” que nos é peculiar, sendo cobertas, costumeiramente, pelo suor e pelas palmas calejadas dos contribuintes. Teremos, infelizmente, doze pan-americanos realizados a toque de caixa, que medrarão os ralos privados dos oportunistas profissionais.

A ratificação da incompetência organizacional e administrativa de nossos líderes nos foi novamente exposta, sem rubores, durante entrevista concedida, no mês de setembro, pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, que sugeriu, conforme proposto no projeto de lei encaminhado ao Congresso Nacional, a instituição de feriados quando da realização das partidas do campeonato mundial, ou seja, a paralisação produtiva do país por período predeterminado pelo governo, para desse modo maquiar a deficiência das cidades sedes em seus meios de transporte e suas vias de acesso, estruturas que há muito apresentam problemas crônicos. 

A pergunta é: Quem pagará a conta dessa paralisação? Todos os dias de jogos serão feriados? No caso de São Paulo, local provável da abertura, como funcionaria? Qual seria o prejuízo estimado para os setores produtivos, principalmente para os pequenos comerciantes?

A surpresa positiva desse debate tem sido o desempenho do deputado federal Romário, cujo tom crítico e firme tem combatido o oba-oba com que a cúpula política do país tem tratado o tema. De acordo com Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados, as esferas que abrangem as obras necessárias para o torneio e as que definem as regras de regulamentação do país durante o evento são distintas.

Em entrevista ao portal G1 no dia 20 de setembro de 2011, Maia disse: “Acho que estamos confundindo alhos com bugalhos nesse tema. Uma coisa é a realização das obras e das ações para a Copa do Mundo (…) outra coisa são as regras que vão regular o funcionamento do país durante os eventos. Não vejo problema e não acho que isso [feriados em dias de jogos] tenha a ver com a fiscalização e com o trabalho que está sendo realizado para que todas as obras estejam prontas”, e concluiu: “Feriado sempre é bom”.

Faz-se necessário, por parte da população, o acompanhamento pormenorizado do controle dos gastos públicos com possíveis obras faraônicas, que serão posteriormente abandonadas, e com as ingerências promovidas pela CBF e pela FIFA, para que não tenhamos problemas semelhantes aos enfrentados pela Grécia pós-Atenas 2004.

 

Eduardo Candido

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4 Respostas para “Quem pagará a conta?

  1. Nossa senhora! Eu estava por fora desse tema! Realmente o Romário foi uma surpresa pra lá de positiva.
    O grande problema é o financiamento de campanhas pelas grandes empresas aí chamadas de Oportunistas Profissionais (e é o que são). O Governo no Brasil não é nada mais do que mais um campo de MERCADO para eles!
    É por isso que sou tentado a acreditar que o financiamento público de campanhas seria vantajoso, mas acredito que isso ainda não seria suficiente para cortar essas influências absurdas na nossa gestão. O que se vê hoje é um desvio legalizado de verbas. O Governo se mobiliza para atender as necessidades dos grandes empresários no mais claro modelo neoliberal. A saúde anda assim. Quase tudo está sendo terceirizado, ou se quer terceirizar.
    Chega-se ao ponto de decretar feriados para mascarar problemas de transporte (concordo demais com isso). O metro de Fortaleza por exemplo está há anos parado (mais de 10 já). O transporte público é caro e desconfortável. Não há ciclovias, ou corredores exclusivos para ônibus.
    Bom, se eu continuar falando eu escrevo um livro hehehe
    Grande texto Eduardo!

  2. Lê,

    Eu realmente acredito que tenhamos a devida capacidade para organizarmos eventos de porte internacional como Copa do Mundo e Olimpiada, o que ocorre, de acordo com meu ponto de vista, é que as normas vigentes beneficiam aqueles indivíduos cujos objetivos visam ao próprio enriquecimento à custa de arrochos nos prazos dos cronogramas de execuções de obras.

    O verdadeiro problema, entretanto ocorre quando a população acha que isso é normal, e simplesmente acredita que a natureza dos brasileiros é essa. Corrupção existe em todos os países e culturas, o que não pode haver de forma alguma é o conformismo, este, de fato, é a pior característica de nossa sociedade.

    Precisamos cobrar, contudo não acomodados confortavelmente em nossos confortáveis sofás de classe média!

    Eduardo Candido Gomes

  3. Em sã* consciência!…rsrs…

  4. Realmente Dú, é inacreditável que alguém em são consciência tenha enxergado potencial no Brasil a ponto de realizar eventos tão grandiosos…infelizmente o país não apresenta estruturas nem mesmo para abrigar seus próprios moradores, quem dirá turistas de todo o mundo…
    Tenho certeza que as péssimas condições de transporte a que estamos submetidos serão mascaradas durante os eventos e, com o término dos mesmos, voltará a ser caótica como sempre foi.
    Eu adoro futebol, mas não concordo com nada, absolutamente nada, que tem sido feito para realizar a Copa do Mundo por aqui.

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