Arquivo do mês: março 2012

Vivi

Vi Vivi viva
na bela Guanabara,
vi Vivi bela
na viva Guanabara,
a vi,
digo, Vivi,
sob os braços
redentores,
colorindo com
americanas
matizes
o sertão
de
Suassuna,
os versos
de
Augusto
dos Anjos,
os morros
da
cidade
do Império.

Vi Vivi viva
desfrutando
de
vindas e
idas,
de orlas
oscilantes,
de rosas,
em bronze,
que repousam
nas mesas de
ontem,
de beija-flores
apaixonados
que pairam,
para ouvir
Orfeu,
enquanto
pés apressados
banham-se
nas
ondas
portuguesas
de Copacabana.

Vi Vivi bela
em prantos
luminosos
que beijavam o
solo e
fomentavam
seu caminho,
cultivando amizades,
amores,
histórias,

declamando glossários
ao
áureo crepúsculo
do Jacaré,
que, acariciado
pela brisa do
entardecer,
aclama e aduz
distantes vagalumes
refletidos por
campos então
turquesa…

Vi
horizontes,
sonhos nascentes,
andejos
inquietos
que, como Vivi,
buscam
vivazes
pelo canto
dos colibris,
por primaveras
coruscantes,
pela
felicidade
encontrada no arco-íris
após a tormenta,
por sensações e sentimentos
que correm
por eitos
desconhecidos

que correm
por leitos
que não
desaguam no mar.

Digo
que vivi
e vi Vivi viva
e bela como sempre!

Eduardo Candido Gomes

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A ti

Sou
sentimento
sob
pressão
a cada centímetro,
sentimento
que
represado
ascende em
ebulição,
sentimento
que
busca,
incessante,
por
sangrias
que
lhe permitam
cruzar
o
firmamento,
tal qual
jatos
que
sangram
em busca do
infinito
 
Sou
emoção
que sangra
pela
pena,
que
gera
comoção
a amantes

a amados,
que por
hora encontram-se
apartados
por
grandes distâncias
ou
pequenas
 
Que
comova
a todos,
não me importo,
já que
padecem de
similar
enfermidade,
contudo,
escrevo
a ti
minhas verdades,
pois é
por
ti
que
as sinto.
 
Hoje
um
pombo correio,
como num sonho
sem começo
e
sem fim,
cruzou meu caminho
levando,
com a velocidade
de um raio,
uma atadura
de coração
ferido,
tentei questioná-lo
por qual rumo
seguiria
para que
a ti
entregasse
minha
alegria,
mas meu
ensaio
foi em
vão.
 
Não entenda
minha
distância
como
um não,
pois
por ti,
exalo SIM
em
cada poro,
em
cada olhar,
em
cada lágrima
em
cada sorriso,
em
cada altar.
 
Eduardo Candido Gomes

Tens meu Coração

A chama do nosso amor

ascende em brasas,

a chama do nosso amor

descende em brasas,

soçobra em brisas,

liberta o majestoso sol

em meu peito.

 

O sol em mim

e eu nele.

 

Eduardo Candido Gomes

Louco

Ensandecido

em tempos

de dor

flerto,

insistente,

junto ao

anjo,

incessível,

com foice

domado

e manto

negro.

 

Perco,

entre rasantes,

a meio

fio,

tangentes

ao

fio

da navalha

mais

afiada,

a vida

presente

em minhas

escolhas

presente

nos olhos

da

infância

presente

nas

cores

de meus

caminhos

presente nos sonhos nunca tidos e assim não desvelados.

…………………………………………………..

VERmelho SANgue

latente em mergulhos por labirintos sem fim!

…………………………………………………..

Ora,

embora

ore

pelos corações

desesperados,

sigo,

com braços

atados,

suportando

insensíveis noites

em dias

de

verão

noites

de estrelas

ausentes

como os

são

limoeiros

nas terras

de

Jerusalém,

como os

são

sorrisos

em

Auschwitz-Birkenau,

como os

são

amantes

sem pares.

 

Dionísio,

               verte seu

                               CÁLIce

                                             com trago

                                                               robusto,

                                                                              brinda

                                                                                           à minha

                                                                                                        idiossincrasia,

enquanto

                                                                                                            sinto

                                                                                                                   o gosto

amargo

da solidão

sob

céus

ermos.

 

Eduardo Candido Gomes

Sexta-Feira

As noites de sexta-feira sempre brilham mais, são mais belas, aguçam nossos sentidos, nos tornam apreciadores das belezas mundanas da vida, talvez por nos brindarem com a atmosfera de alegria e de descontração que nos embala com a chegada dos fins de semana, com a chegada de dias que nos farão realizar os sonhos mais puros ou mais insanos, em horas vividas em alta intensidade.

Sinto-me mais romântico as sextas, tudo a minha volta parece se mover em velocidade reduzida, com a trilha sonora certa para cada momento, ouço, de fato, aos cantos dos pássaros, e esses me são mais afinados, noto as flores nos topos das árvores da Ribeirão Preto, que, veementes, se mostram mais sedosas, degusto, após partidas de paralelepípedos nas ruas do passado, o doce de sede saciada com frutos maduros, desfruto, à distância, dos bares da Augusta repletos de pessoas interessantes traçando planos entre goles, entre tragos, entre beijos,…

A cada sexta-feira revivo minhas ânsias, meus medos, minhas vontades, …, a cada sexta-feira mergulho, por entre copos, garrafas, sarjetas, em uma busca coletiva pelas nuances da vida, a cada sexta-feira busco em si um pouco mais de mim e em mim encontro o desconhecido.

 

Eduardo Candido Gomes