Arquivo do mês: abril 2012

Sentimentos azul-outono

Contemplo,

em meu claustro,

revoadas

que buscam pelo

próximo verão,

aljôfares que

correm de encontro ao mar,

enquanto brisas ousadas

murmuram-me

confidências ao

pé do ouvido.

 

“O que penso

eu do mundo?

Sei lá o

que penso do mundo”,

assim como

desconheço o

que sinto;

sei, contudo, que sinto,

e isso me basta…

 

Arrisco, baldado,

olvidar-me, definitivamente,

de rigorosos alvitres

que me dilaceram…

recordes

de elegantes

lábios escarlates

que bailam ao

ritmo de Gardel,

de olhos

tão intensos que

inebriam com a

violência de fadas

impressionistas,

de curvas

tão fartas que se

tornam perigosas

(VÓRTICES DE EMOÇÃO!)

silhuetas sinuosas

em que desejo

me encontrar

e me perder.

 

Arrisco e falho!

o sei, de certo;

sobra-me, pois,

diante de persistentes

reveses,

degustar o céu

azul-outono

embebido pelo saibo

doce-amargo

de amores

impossíveis.

 

Eduardo Candido Gomes

Assimetria

Infância

de marcas,

sinaleiras,

corda-bamba,

doce,

amargo

e tesouros de vidros

ocultos.

Vida desbotada.

 

O inicio

(um fim sem propósito)

perscrutar

(ver e não poder tocar)

panorama

(de um horizonte)

esperança

(de uma música diferente)

Pátria

(que uma criança espera)

prantos

(que se derramam sem que uma criança entenda)

vida

(que a nação espera)

De crianças que podem ser felizes.

 

Vago

 

Futuro extirpado

presente e passado

infausto;

Abraços vazios (…)

olhar tacanho

suplica afago em

vida subtraída…

—————————————————–

de sonhos que sangram natimortos!

 

Eduardo Candido Gomes

Infinidade

A outra margem

da palavra

rio

translato,

subjacente,

visitado por andorinhas.

Rios e palavras brincam

de fazer de conta

que o azul nimbo

e o azul ametista

são da mesma fonte!!!

 

Um, silêncio

outro, grito!

 

Infinitude breve,

eternidade vaga.

 

J. Camelo Ponte

Priscas

Andorinhas sobrevoam ipês amarelos,

riscam o azul de uma tarde eterna

em vôos rasantes, lupes…

outras em minha direção velozes

desviam-se alegres ou tristes?!

 

 – As andorinhas já não moram no poema!

 

Ao ritmo do vento agitado

imensas ondas verdes e amarelas

lilases e roxas,

ipês dançantes

em coral

pertinentes

acalentam murmúrios

desfiam silêncios e linguagens híbridas

desafiam o concreto,

braços afoitos contra a estagnação,

antigos e harmônicos

no horizonte do quarto andar

da rua João Ramalho sem enfeites de natal.

 

– As andorinhas já não moram nos olhos de uma criança!

 

Um barco de concreto navega pelos instantes

alados que levam uma povoação de pensamentos

e o mundo embrulhado num papel de pão amassado.

 

– Andorinhas já não moram nas lembranças!

 

 Essa tardezinha perfumada, num bico de beija-flor

sob o trinar de pardais vai entrando pelos meus olhos algodoeiros,

vai ligeira buscar pelas lembranças os sóis castanhos de um olhar eterno

que mora na pragmática de uma linha recém-descoberta

de um signo preso no destino.

 

– As andorinhas já não moram nas capelas!

 

Multidões partilham essa viagem

e séculos habitam a exclamação dos meus olhos

que desvelam orações enfeitadas pelo vago, pelo díspare, pelo pouco,

pelo lento, pelo quase-e-tão-imóvel-sibilar-do-nada.

 

– As andorinhas já não moram nas igrejas!

 

Tantos milênios esperamos essa tarde

para assistirmos o único momento de uma borboleta

transformando-se em signo marcando o incognoscível.

Eis-nos aqui, tinta derramada no avental branco,

presente do f.uturo sem presente do passado,

idéia, pensamento, ação

em sintonia, em harmonia e equilíbrio

no silêncio e mistério da semente

 

– As andorinhas já não moram nos conventos!

 

Vivências desafiam teorias, conteúdos sobrecarregam a infância,

crianças taciturnas pelas ruas a mercê dos veículos ensandecidos

e seus pensamentos habitam arraias coloridas

e amarelinhas sem lugares para os céus

de onde voltarão com suas mochilas

sobrecarregadas de lições de casa.

 

– As andorinhas já não moram nas biqueiras!

 

 Ouve-se Ave Maria de Gounod

pelos corredores acadêmicos,

Bach ressurge das almeidas dos navios esquivos

e os mestres cantores de Nüreberg

Integram o coral de pássaros

adentram memórias e abraçam o vento,

 “Ave Maria, cheia de Graça… Deus é contigo!”.

 

– As andorinhas já não moram nas cavernas!

 

O vento e a palavra, o silêncio e a música

sobre as flores de um buquê carregado pelo entregador apressado

procurando o endereço esquecido

e o papel perdido na rotina da multidão.

 

– As andorinhas já não moram no instante!

 

O tempo e o espaço mergulham

em uma prisca do respingo

de uma gota levada pela abelha solitária.

 

– As andorinhas já não moram na poesia!

 

Dia e noite

abraçam ruas

e memórias contextuais.

Linguagens caleidoscópicas

em vias-sacras,

silêncio, palavra e mistério

à outra margem da palavra.

 

– Andorinhas já não moram em meus olhos.

 

J. Camelo Ponte

Alarido: Silêncio x Virtualidade além-mar

Prezados Professores Doutores

António Viriato Neto da Costa – Director Nacional Adjunto

Maria Cristina de Fátima Paiva Amaro de Carvalho

Emanuel da Silva Pinto

Eusébio Alberto Domingos

Nosso abraço brasileiro e nossa reafirmação do amor e crença pela educação – caminho para o futuro do presente dos nossos irmãos angolanos.

Agradecemos a atenção dispensada, carinho e cuidados antes, durante e após nossa apresentação do projeto à formação de professores angolanos cuja meta é capacitar 180 mil professores através do projeto: Formador de Formadores em conformidade com o Plano Nacional de Educação de Angola. O projeto tem por objetivo abarcar toda a população, em todas as províncias. A partir dessa perspectiva, nosso estudo, pesquisa, acuidade, foco e competência.

Concorremos “com mais de 186 projetos de vários outros países” conforme fomos informados após nossa apresentação. E nosso Projeto Formador de Formadores in: Biopsicoética da Educação por Competência conseguiu o “Aprovo” da Equipe Técnica de Educação Nacional do MED – Ministério da Educação de Angola, cujo processo seguiu para o Excelentíssimo Senhor Ministro da Educação. (Foto)

O fato de outras nações estarem envolvidas e, com esse afã, torna nosso trabalho um sonho – um sonho livre, “pois do outro lado da razão, há o desejo de ser livre, e ser livre não é carecer do outro, e não carecer do outro é estar sempre presente. – Caminhantes iremos pelos Caminhos que ensinam a sonhar sem medo e a perceber que, se um sonho é perigoso, a cura para ele não é sonhar menos, é sonhar mais, um sonho inteiro na sua plenitude” (Cf. PONTE, 2007), pois acreditamos que o verdadeiro caminho da liberdade é a educação.

Aguardamos a visita da equipe técnica conforme combinado por ocasião da apresentação do Seminário Angola 2011 – Formador de Formadores in: Biopsicoética da Educação por competência.

Agradecemos a equipe de apoio, administração, logística, técnicos e especialistas que debateram conosco a construção e definição do desenho final do macroprojeto.

Aproveito o ensejo para agradecer a Unyca – Comunicação e Educação a Distância, empresa do Grupo SEB, nas pessoas do Sr. Eduardo Gonçalves Machado, Ângela Machado e Alessandra Nogueira (foto) que recebe o aprovo das mãos do Dr. Viriato Neto, Presidente Nacional do Conselho Técnico de Educação ao fundo o Prof. Dr. Montanha, de empresa brasileira Costa Negócios que participou do evento.

Mais uma vez agradecemos a hospitalidade, visitas às escolas de Luanda para estudos do meio, entorno e pesquisa pedagógica.

Especial agradecimento ao escritor Ministro Antonio Burity, pelo acesso a sua biblioteca particular e à Biblioteca da Unia – Universidade Independente de Angola cujas ações ajudaram-me a concluir o projeto para o seminário, também nosso agradecimento ao Deputado Prof. Dr. João Pinto, pelos debates pertinentes à educação local, regional e global focada no projeto Biopsicoética da Educação por Competência que o vê como “uma atitude política na educação à excelência da educação em Angola” e nessa mesma perspectiva o projeto Excelência em Educação que será construído embasado em Biopsicoética da Educação por Competência.

 

J. Camelo Ponte