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Multifocais Entrevista – J. Camelo Ponte

Hoje lançamos o espaço “Multifocais Entrevista” com o ilustre cearense José Camelo Ponte, escritor, autor de 25 obras, dentre as quais Prisma Errante, seu primeiro trabalho, publicado em dezembro de 1969, aos quinze anos, e Portais do Tempo, seu Best-seller, presentes em países como Portugal, França, Alemanha, Angola, Macau, (…), é um dos fundadores do MAPE – Movimento Arte do Pensamento Ecológico, além de ser Artista Plástico, Psicólogo, Professor Universitário e Educador.

Professor, o livro no Brasil é caro e por isso afasta os leitores em potencial. O senhor acredita que o fator econômico seja o de maior peso para o fraco horizonte da leitura no Brasil?

Camelo Ponte: Realmente o livro no Brasil é caro, mas isso não é o que realmente afasta os leitores em potencial. Há vários projetos de leitura que são facilitadores não só do ponto de vista econômico, mas também técnico, didático e metodológico. Esses projetos são acessíveis nas escolas de ensino infantil, fundamental I e II, médio, superior e pós-graduação, através de vários programas locais, regionais e globais. São “programas” oficiais e “projetos” de incentivo à leitura com iniciativas da população. São iniciativas tímidas, não resta dúvida, mas poderiam alavancar a cultura da educação da leitura no estado. O Ceará abriga a primeira Academia de Letras do País e poderia ser o Estado da cultura da educação da leitura & escrita se utilizasse a diversidade que proporcionam as TICs – Tecnologias Informacionais e Comunicacionais para “semear livros a mancheias” em terras, por mais áridas que sejam. Não há dúvidas quanto ao domínio dessas tecnologias, todavia, isso não impede que o Estado tenha em seus municípios, em suas escolas, em suas comunidades de base, em seus núcleos familiares, atitudes distintas à formação de leitores e produtores de textos competentes. Façamos uma breve reflexão: qual o custo de uma biblioteca virtual?! Quais autores locais, regionais e universais constariam nessa biblioteca? O livro em seu formato tradicional seria acessado por quem? Como? Onde? Por quê? Para quê? Quem seriam os parceiros éticos e competentes para incentivar a cultura da leitura e da educação da leitura no Estado do Ceará, já que estamos falando de habilidades e valores no contexto social da leitura? E mais, estamos dizendo que a educação prescinde dessa prática como exercício de formação de cidadania, resgate da identidade, inserção social e constructo histórico.

Qual a sua interpretação sobre tantas feiras – batizadas de Bienais do Livro –, em várias capitais do País?

Camelo Ponte: As Bienais do Livro são práticas para o acesso ao livro como “objeto de consumo” se considerarmos estritamente o movimento editorial que envolve a consecução do evento como um todo. Vejo essa prática por vários ângulos e, entre eles, há um que julgo importante no contexto da leitura, é o encontro entre leitores, escritores, professores e editores, concomitantemente. Esse encontro, visto pelo contexto biopsicoético da educação por competência, desenha novas perspectivas às práticas culturais, à “realidade da imaginação”, à verdade dos conceitos ou preconceitos que existam sobre o exercício do pensamento já fecundado pela ideia, agora em estado de graça, ação divinatória revelada na possibilidade da reescrita de todas as obras ali expostas, quer sejam pela oralidade, escrita, ou pela linguagem híbrida. Ler o mundo implica mergulhar na diversidade, compreender a ideia, como prisca de luz da consciência universal, o pensamento, como tudo o que existe e de que o homem dispõe, e a ação, como gênese, movimento, vida. Vida da palavra em interação, leitor x escritor x editor x escola x família x comunidade. Caro esse trajeto, embora não concorde com os exageros dos preços, o oportunismo da exploração de alguns, as relações humanas são preservadas, a possibilidade de sonhar um sonho inteiro, em sua plenitude, é algo especial considerando a complexidade do mundo atual. Identidades, endereços, cartões, acenos, dança, cores, luzes, a palavra ganha corpo. Já imaginou encontrar Lobato (escritor e editor), Francisco Alves (considerado um dos maiores livreiros de todos os tempos), e/ou José Mindlin, o empresário (poeta do livro), que conseguiu a maior façanha neste País, ter a maior biblioteca particular e doá-la, ainda em vida, à instituição pública de ensino. As bienais, congressos, fóruns possibilitam encontros assim, tão especiais. No tocante às editoras, suas atuações no mercado, e “o mercado” é um contexto de oferta e procura, exercitam suas práticas comerciais de acordo com a demanda. Estou consciente de que são empresas em uma realidade capitalista, feroz, onde pequenas editoras são absorvidas, e estas para sobreviver deverão melhorar ainda mais no que tange a qualidade, público focado, acesso rápido, agilidade e flexibilidade às novas tendências, tecnologias de acesso, clientes personalizados, edições experimentais, etc. Creio que essas fusões provocarão uma atitude do “fazer para valer” no mercado global onde se inserem os “pequenos editores”. Mas os pequenos editores? Mas, meu Deus, do que estamos falando? Será que Cruz Filho não poderia ser editado pela Dom Bosco, o Patativa pela Abril, Lobato, pela Editora do Escritor, Ponte pela Editora da UEC ou UFC, Veríssimo pela Verdes Mares? Precisamos mensurar o que é “ser pequeno” quando se trata de ciências humanas. Em relação ao Nordeste, significa “ser relegado” pelo mercado editorial a um papel de segundo plano, tenho claro que o Nordeste se coloca como um mercado consumidor e, em várias regiões desse mesmo Nordeste, aprecia-se bem mais o que é de fora, ou “estrangeiro” como dizem, do que seus próprios valores, suas identidades, suas histórias. Sou nordestino e não sinto o ranço uspiano como muitos colocam. A PUC, a USP, a UEC ou a Unifor apreciam a inteligência, a epistemologia, a verdade e a realidade do conhecimento que consigam mensurar, organizar, aplicar, desenvolver, experimentar como “laboratórios do saber” em seus tempos/estados/ações. Em relação ao alto nível de analfabetismo, a solução é uma prática focada para os valores da família em seus contextos sociais, uma atitude pedagógica biopsicoética na raiz do eu/ser/mundo de cada indivíduo, partindo do pressuposto de que o sujeito vive em comunidade, e esta deve ser consciente, atuante, tornando-a sustentável. O verdadeiro investimento é no capital humano; quando se trata de “gente”, a verdadeira atitude é a prática efetiva de construir gradativamente o saber local, regional e global. O impacto tecnológico em todos os sentidos, quer seja para o letramento, para fins sociais, culturais, políticos, econômicos, cognitivos e linguísticos, só pode ser um mal se utilizado de forma egoísta, bairrista, corruptiva e antiética. Toda tecnologia é, e pode ser, um bem social, dependendo de sua aplicabilidade. Por exemplo, em relação aos livros, a formação e a informação chegam bem mais rápido ao seu destino, o processo é simplificado, há corte de mão de obra em todos os aspectos, há, mas essa mesma mão de obra pode e deve ser migrada à outra atividade humana, o que não falta é o que fazer em âmbito local para o desenvolvimento regional e, principalmente, no contexto social de uma comunidade. Também penso que não é só o “salário” que pode ser gestor da vida. Cuidar da terra, plantar, colher são práticas de gestão por competência. A terra, a semente, o trabalho são direitos intrínsecos à vida. A educação, a saúde e a cultura são condições sine qua non ao SER, são direitos e deveres sociais em plenitude maior. O Estado deve ser o gestor harmônico em sintonia com a verdade e a realidade de cada constructo social.

Professor José Camelo Ponte discursa no Colégio da Polícia Militar do Ceará General Edgard Facó por ocasião dos 14 anos de fundação do colégio.

Em seu discurso, o professor e escritor agradece ao Estado do Ceará, suas raízes, formação de berço e ao comandante coronel Luiz Solano Austregésilo Telles através do qual saúda e cumprimenta autoridades presentes, direção, coordenação, professores, alunos e comunidade in loco ao evento no qual Camelo Ponte agradece a láurea recebida, a comenda “Amigo do Saber e da Escola”, e lança os pilares da Biopsicoética à educação cearense.

O Brasil pode tornar-se um país de leitores, e seu livro no contexto editorial?

Camelo Ponte: O Brasil pode tornar-se um país de leitores embora ocupe na estatística mundial um lugar lamentavelmente triste e cada vez mais alarmante quando se trata de produção textual e interpretação de textos. A Escola em geral ainda não está preparada para ensinar leitura, escrita & oralidade. Três elementos interdependentes biopsicoéticos e interdisciplinares. Ensinar leitura deve ser responsabilidade também da cultura. Aliás, penso que a cultura precede a educação, e a educação é um exercício constante de aprimoramento do Ser Humano e se transforma em cultura à medida que é socializada. Recentemente, em uma instituição de ensino superior, elaborei uma avaliação para a disciplina de Didática para o curso de Pedagogia, a qual, para as cinco questões dissertativas, trazia implicitamente todas as respostas dessas mesmas questões. Tal não foi a surpresa da equipe de professores, constatar que nenhum discente apresentou resultado mínimo satisfatório. Friso que a avaliação era com consulta a todo tipo de material, inclusive ao portfólio, que adoto em minhas disciplinas como parte do processo de aprendizagem, ensino e exercício de revisão e reflexão de conteúdos flexibilizados multidisciplinares.

O meu livro Leitura: Identidade & Inserção Social, lançado nesta IX Bienal Internacional do Livro em Fortaleza, no estande da Editora Paulus, apresenta uma trajetória de pesquisa em torno da polissemia, focada para o ensino da leitura em âmbito pedagógico, biopsicoético interdisciplinar. Trabalho com dois textos, um anônimo e outro institucional, assinado pelo poeta Paulo Bonfim, considerado um dos mais expressivos poetas vivos da atualidade. As memórias às quais me refiro na obra consistem na capacidade humana de assimilar formação, informação e registro epistêmico que cada ser humano pode reter por determinado tempo em sua vida.

O que é Biopsicoética?

Camelo Ponte: Biopsicoética é epistemologia, conhecimento organizado, movimento consciente que contempla o Eu/Ser/Mundo em sua SIP – Situacionalidade, Intencionalidade e Potencialidade. Essa trilogia focada para a educação desvela no contexto de formação, informação e ciência, os pilares identitários necessários ao processo de ensino-aprendizagem. Esse exercício de consciente interação só é possível e mensurável nos contextos vivenciais do ser humano, incluindo o espaço/tempo/ação desde a creche até a universidade. “Bio psico ética” é para toda a vida. Não é possível viver sem “identidade, ética, contexto biopsicoético e consciência de mundo”. As competências humanas são fundantes à sociedade local, regional e global. Bio é impulso, psico, energia, memórias, ética, o acordo que “eu” faço comigo mesmo. Qual é o seu “acordo consigo mesmo” quando pensa desvelar ideias, pensamentos e atos dos seus semelhantes??!!!

Multifocais

Revolução com papel e lápis

III

Ora, estou falando de cultura e educação (claro, na minha perspectiva) e, na internet, ninguém lê mesmo, posso falar a verdade, quem vai ligar? Afinal, uma greve dessa magnitude é cultura para ninguém botar defeito, opa (!!!), uma greve dessa magnitude é educação para ninguém botar defeito!

Essa greve que tanto nos preocupa exige uma aproximação sem partidos, sem fatias de bolos, exige que as comunidades se reencontrem, dialoguem e pratiquemos um exercício de ensino-aprendizagem, de leitura e escrita de mundo, de afirmação de sujeito no mundo, em conformidade com os pilares biopsicoéticos citados no início. É preciso dialogar, contribuir para que a pérola possa ascender não só no outro, mas em um lugar certo, no coração do outro. Uma outra pérola, “um outro” capaz de pensar e refletir sobre o “Bom”, o “Belo”, e o “Bem” em âmbito local, regional e global como exige o novo tempo. E um novo tempo exige uma relação mais aberta, sincera e com todos os seus paradoxos. Pensamos que essa relação com a comunidade, alunos, pais e entorno escolar poderá conseguir modificar o próprio curso do caminho, ora inseguro e repleto de insatisfações, descontroles e, até mesmo, um cadafalso.

Quando cultura e educação & educação e cultura são pensadas a partir de um mesmo ideal, o ideal comum, respeitando-se todas as diferenças, o direito de expressão (ainda é preciso que frisemos isso), é possível edificar um projeto que possa contemplar esses dois universos indivisíveis, e trabalhar com sinergia, interação, sem prejuízo da sociedade como um todo.

De onde devemos partir para construir um projeto de cultura e educação e de educação da cultura da educação?!

É tão simples quanto o nascer do sol, quantos percebem que sua luz é que dá o norte para todos os dias, que mostra o caminho indistintamente, independentemente do sonho ou da ilusão de cada um de nós. Essa é a verdade. A realidade é que a maioria de nós não percebe sequer que o sol existe e, nisso, Ponte é incisivo quando propõe uma leitura à outra margem da palavra, quando propõe que tenhamos uma visão inversa a partir do nosso ponto de chegada, que possamos ouvir o silêncio a partir do som que se oculta no coração do outro, que somemos nossa poesia à realidade e a verdade da poesia da vida do outro; dessa forma, afirma, o projeto não será só uma ideia solitária e passível de modificações e transformações, mas o resultado de uma parceria incontestável na qual é possível mensurar a contribuição de cada um em sua identidade, ética, contexto biopsicoético e consciência de mundo. Será possível que todos leiam, escutem, pensem, ouçam, falem, reflitam, olhem e vejam a seara de seus próprios labores, pérolas ao sol.

Eduardo Candido Gomes

Revolução com lápis e papel

II

“Hoje, quando plantamos uma semente, semeamos para o mundo. Da mesma forma uma ‘ideia’ (inspiração), uma vez semeada no ‘pensamento’, constrói o ‘ato’, seu modus operandi no mundo” (PONTE, 1975).

Dessa forma, penso que essa reflexão pode ajudar-nos a desenhar uma travessia de rios sociais que permeiam nossa leitura de mundo para que tenhamos um parâmetro atual para construirmos algumas ideias sobre a necessidade de contextualizarmos “a educação da cultura e a cultura da educação da cultura” a partir de uma prática local, com atividades imbricadas, intertextuais, interdisciplinares, multidisciplinares, transdisciplinares, e biopsicoéticas (cf. MIRANDA. D.M.C, Incursão: um lampejo da realidade. São Paulo: Linguagem Editora, 2002).

O que compreendo como revolucionário hoje é exatamente ser o mais simples possível, tão simples como a ‘pérola’, de Camelo Ponte, na educação, ou o seu “Abraço Interdisciplinar Biopsicoético” proposto em uma Jornada Pedagógica em Natal, em 2009, para aproximadamente 500 mantenedores e professores de um sistema de ensino do sul do País.

A proposta do “abraço biopsicoético” é, segundo o professor Camelo Ponte, encontrar “no outro” a pérola que esse “outro” é e ascender nessa parceria do abraço interdisciplinar em ideias, pensamentos e atos em sintonia, harmonia e equilíbrio com o mundo local, regional e global, conscientes do contexto de ensino-aprendizagem com foco na identidade, ética, contexto biopsicoético e consciência de mundo (PONTE, 1975).

Essa metáfora da pérola na educação cabe bem na crise que o Ceará vive na construção do conhecimento, aliás, como o Brasil organiza o conhecimento (epistemologia), como se a ciência pudesse ser loteada ao bel-prazer dos interesses comerciais, ignorando completamente o ser humano dos direitos e parcerias dessas descobertas. É importante a diferença das pérolas, assim como é importante perceber que “o ‘igual’ é diferente em algum ponto da realidade”.

Esses elementos da realidade deixam claro que a verdade manifesta, ao longo do tempo, resultados catastróficos para as sociedades. Proponho que olhemos a opressão inconsequente em nome da paz, da igualdade e dos direitos humanos. “Removem uma pedra dos braços dos oprimidos e colocam um rochedo sobre os ombros dos incautos”. Então pensamos, de que natureza é esse exercício de liberdade?! E essa liberdade é a mesma que contribui para que uma manifestação de descontentamento se transforme em prejuízo sem medida com uma greve na educação por mais de cinquenta dias, o que onera as gerações futuras em tal monta que será impossível, inimaginável, recuperar a própria vida de um obscuro caos de interesse partidário.

Quais experiências vivenciarão como resultado dessa performance?

“As gotas caem,

elas têm que cair,

impactando com pedras,

perfurando rochas,

que exibem a penúria e o abandono”.

Pois assim estamos diante dessa ausência de sensibilidade que reconheça a educação como a atitude mais importante de nossa sociedade. Uma educação sem cultura da própria educação?!

O Estado do Ceará pode e sabe apreender de sua natureza e de suas aspirações, é um povo que exercita com dignidade o direito de expressão, é um povo que comunga no silêncio seu espanto, suas desilusões, mas é também um povo que sonha, um sonho inteiro em sua plenitude, parafraseando Camelo Ponte.

 

Eduardo Candido Gomes

Revolução com papel e lápis

I

O Ceará, um Estado com o segundo maior PIB da Região Nordeste, 45 bilhões de reais em números de 2010, é composto por 184 municípios, subdivididos em 839 distritos, cujas economias dependem predominantemente do setor de serviços, 70,9% do PIB, sendo seguido pelo setor de indústrias, 23,07% do PIB, e pelo setor agropecuário, 6,03% do PIB. Apresenta população da ordem de 8.448.055, de acordo com o último Censo, sendo 75,09% residentes em zonas urbanas, e 24,91% em zonas rurais.

No que tange à educação, o Ceará detém 12.746 instituições de ensino, municipal e estadual, distribuídas entre pré-escola, ensino fundamental, médio e superior, com corpo docente da ordem de 72.406 responsáveis pelo ensino de 3.956.120 estudantes na faixa etária entre 5 e 29 anos. Todavia, não obstante a elevada frequência escolar, da ordem de 99,4% para a faixa entre 6 e 14 anos, o percentual de habitantes com tempo de estudo igual ou superior a 15 anos é de 4,19%, muito aquém dos níveis ideais esperados para a educação de um membro federativo, cuja importância para a Região Nordeste é fundamental. Em termos de analfabetismo, a taxa se mantém assustadoramente elevada, chegando a 18,6% para pessoas com 15 anos, atingindo um nível ainda mais preocupante quando analisamos o analfabetismo funcional, que atinge incríveis 29,5% da população da mesma faixa etária, expondo, talvez, o método convencional de governos, que prezam pela abrangência em detrimento da qualidade do serviço prestado.

A história ensina que revoluções armadas, autoproclamadas “libertárias”, cujas alamedas, via de regra, levam sociedades inteiras a intermináveis guerras civis, dificilmente obtêm sucesso, alterando, de fato, estruturas, contudo mantendo a essência dos mecanismos concentradores.

Acredito que estejamos no momento ideal para refletir sobre novos caminhos (métodos e metodologias) para que possamos atravessar limites impostos ao desenvolvimento coletivo e do indivíduo da sociedade no século XXI. Precisamos sempre de algo novo para superar o que descobrimos no presente como prejudicial e ultrapassado em seu modus vivendi e operandis.

Esses caminhos, discernindo suas complexidades, métodos e metodologias, tornam viáveis os projetos que tenhamos tanto em nível pessoal, familiar e social, como em outras empreitadas mais exigentes no que tange a formação, informação e epistemologia. Por isso, para não ser vago ou raso em minhas ideias, nessa relação com o meu leitor, justifico meu embasamento com foco na Biopsicoética em seus pilares fundantes: “situacionalidades, intencionalidades e potencialidades” (cf. Ponte, 2002), assim poderemos perceber o homem em sua dinâmica, cultura e educação, presente-do-presente, presente-do-passado e presente-do-futuro. Essas vertentes “são pérolas” que o mar da vida nos oferece para o dia a dia, uma rotina sempre revivida, o que nos permite a ideia de reconstrução, revisão do nosso “Eu/Ser/Mundo”.

Pensamos nessas “dimensões de pérolas para abraçar o horizonte e poder delimitar, pela nossa condição de olhar e ver, ouvir e falar, pensar, refletir e agir na elaboração de um projeto, que seja cultural, educacional, coletivo ou pessoal” que serve como alavanca para abalar a mobilidade e mover a porta emperrada pelo caos; precisamos de tino pelo estudo e aprofundar nossa compreensão da verdade e da realidade para lidar com a complexidade vigente no século XXI.

Nesse sentido, aprender a lidar de modo especial com a rapidez da informação, que mutila a sociedade e exclui os incautos do arrojo das novas tecnologias, as quais não encontra o homem “pronto” nem a informação adequada para interagir de acordo com as exigências do mercado e a ética necessária às relações humanas no mundo, porque é pequeno demasiado dizermos em um país, “não estamos prontos”, “a sociedade não se interessa pelo coletivo”, “a escola é responsabilidade dos professores”, “o meu sistema educacional é o melhor”, “a minha moeda é a que vale” e outras tantas “certezas” tão caóticas quanto absurdas.

 

Eduardo Candido Gomes