Devastado

Sinto-me em estado de putrefação interna, com um aperto descompassado que brota na região abdominal e sobe continuamente devastando de maneira lenta e crua cada órgão, cada célula que encontra em seu caminho, até desfigurar tudo que constitui meu ser, dos sentimentos ao suco que corrói entranhas e cria doloridas úlceras.

Tremedeiras involuntárias dominam cada músculo de meu corpo, provocando contrações e distensões sucessivas que coíbem minha desesperada necessidade, frustrada, de cuspir tal veneno que inunda meu coração (…)

Sinto-me sem forças nesse exato momento, seja para levantar-me da cadeira que por ora ocupo, seja para dizer basta a essa vil sensação que vivencio, seja para não ler mais as linhas que me escreves, seja para continuar essa luta através da palavra (…).

“A PALAVRA SE REBELA

EM MEU SILÊNCIO.

CRUCIFICADA,

SANGRA, QUEIMA-SE

DILIGENTE NA IMORTALIDADE

DE UM LAGO.” 

 

Eduardo Candido Gomes

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