Sem Título

Meu coração chora,

como hoje chora a Pauliceia,

envolta em denso

manto

carregado por

desastres

ou por

salvação…

Meu coração chora,

não

pela distância,

mas por não mais

senti-la;

chora anestesiado

pelo gélido

descaso

de sua inoperância.

A solidão de suas lágrimas

vertem, por sangrias

desconjuntas,

de beija-flor que

sacia a sede

em cactos

desajustados,

no vazio

de mim,

irrigando

densos estreitos,

com dor.

Seus prantos

não são de culpa,

mas de medo…

medo de

testemunhar

o início

do fim…

 Medo de perceber

que a beleza

e a jovialidade

de outrora

retomaram seu posto

no autorretrato,

e foram

subtraídas,

pelo tempo,

das células,

que os sorrisos

fraternos

já não mais são dados,

que os amores,

puros,

são concebidos

em lençóis

sem nomes…

Fendas abertas,

consumidas

para serem

limpas

antes de

cicatrizadas…

nos reconstruímos

em nós mesmos,

em nossas fraquezas,

em nossas dores…

dores

causadas

pela infidelidade

a que nos permitimos,

ao violentarmos nossos

pontos de vista,

em detrimento de

alguém.

Hoje vejo

que não sou um mero

bibelô

para ser exposto

em sua sala

de estar…

Seu descaso

fortificou-me,

desenvolveu

escudos que me tornam

impenetrável,

salvaguardam

os sentimentos…

Hoje

“resisto a tudo,

menos às

tentações”.

 

Eduardo Candido Gomes

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