Revolução com papel e lápis

III

Ora, estou falando de cultura e educação (claro, na minha perspectiva) e, na internet, ninguém lê mesmo, posso falar a verdade, quem vai ligar? Afinal, uma greve dessa magnitude é cultura para ninguém botar defeito, opa (!!!), uma greve dessa magnitude é educação para ninguém botar defeito!

Essa greve que tanto nos preocupa exige uma aproximação sem partidos, sem fatias de bolos, exige que as comunidades se reencontrem, dialoguem e pratiquemos um exercício de ensino-aprendizagem, de leitura e escrita de mundo, de afirmação de sujeito no mundo, em conformidade com os pilares biopsicoéticos citados no início. É preciso dialogar, contribuir para que a pérola possa ascender não só no outro, mas em um lugar certo, no coração do outro. Uma outra pérola, “um outro” capaz de pensar e refletir sobre o “Bom”, o “Belo”, e o “Bem” em âmbito local, regional e global como exige o novo tempo. E um novo tempo exige uma relação mais aberta, sincera e com todos os seus paradoxos. Pensamos que essa relação com a comunidade, alunos, pais e entorno escolar poderá conseguir modificar o próprio curso do caminho, ora inseguro e repleto de insatisfações, descontroles e, até mesmo, um cadafalso.

Quando cultura e educação & educação e cultura são pensadas a partir de um mesmo ideal, o ideal comum, respeitando-se todas as diferenças, o direito de expressão (ainda é preciso que frisemos isso), é possível edificar um projeto que possa contemplar esses dois universos indivisíveis, e trabalhar com sinergia, interação, sem prejuízo da sociedade como um todo.

De onde devemos partir para construir um projeto de cultura e educação e de educação da cultura da educação?!

É tão simples quanto o nascer do sol, quantos percebem que sua luz é que dá o norte para todos os dias, que mostra o caminho indistintamente, independentemente do sonho ou da ilusão de cada um de nós. Essa é a verdade. A realidade é que a maioria de nós não percebe sequer que o sol existe e, nisso, Ponte é incisivo quando propõe uma leitura à outra margem da palavra, quando propõe que tenhamos uma visão inversa a partir do nosso ponto de chegada, que possamos ouvir o silêncio a partir do som que se oculta no coração do outro, que somemos nossa poesia à realidade e a verdade da poesia da vida do outro; dessa forma, afirma, o projeto não será só uma ideia solitária e passível de modificações e transformações, mas o resultado de uma parceria incontestável na qual é possível mensurar a contribuição de cada um em sua identidade, ética, contexto biopsicoético e consciência de mundo. Será possível que todos leiam, escutem, pensem, ouçam, falem, reflitam, olhem e vejam a seara de seus próprios labores, pérolas ao sol.

Eduardo Candido Gomes

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