Revolução com lápis e papel

II

“Hoje, quando plantamos uma semente, semeamos para o mundo. Da mesma forma uma ‘ideia’ (inspiração), uma vez semeada no ‘pensamento’, constrói o ‘ato’, seu modus operandi no mundo” (PONTE, 1975).

Dessa forma, penso que essa reflexão pode ajudar-nos a desenhar uma travessia de rios sociais que permeiam nossa leitura de mundo para que tenhamos um parâmetro atual para construirmos algumas ideias sobre a necessidade de contextualizarmos “a educação da cultura e a cultura da educação da cultura” a partir de uma prática local, com atividades imbricadas, intertextuais, interdisciplinares, multidisciplinares, transdisciplinares, e biopsicoéticas (cf. MIRANDA. D.M.C, Incursão: um lampejo da realidade. São Paulo: Linguagem Editora, 2002).

O que compreendo como revolucionário hoje é exatamente ser o mais simples possível, tão simples como a ‘pérola’, de Camelo Ponte, na educação, ou o seu “Abraço Interdisciplinar Biopsicoético” proposto em uma Jornada Pedagógica em Natal, em 2009, para aproximadamente 500 mantenedores e professores de um sistema de ensino do sul do País.

A proposta do “abraço biopsicoético” é, segundo o professor Camelo Ponte, encontrar “no outro” a pérola que esse “outro” é e ascender nessa parceria do abraço interdisciplinar em ideias, pensamentos e atos em sintonia, harmonia e equilíbrio com o mundo local, regional e global, conscientes do contexto de ensino-aprendizagem com foco na identidade, ética, contexto biopsicoético e consciência de mundo (PONTE, 1975).

Essa metáfora da pérola na educação cabe bem na crise que o Ceará vive na construção do conhecimento, aliás, como o Brasil organiza o conhecimento (epistemologia), como se a ciência pudesse ser loteada ao bel-prazer dos interesses comerciais, ignorando completamente o ser humano dos direitos e parcerias dessas descobertas. É importante a diferença das pérolas, assim como é importante perceber que “o ‘igual’ é diferente em algum ponto da realidade”.

Esses elementos da realidade deixam claro que a verdade manifesta, ao longo do tempo, resultados catastróficos para as sociedades. Proponho que olhemos a opressão inconsequente em nome da paz, da igualdade e dos direitos humanos. “Removem uma pedra dos braços dos oprimidos e colocam um rochedo sobre os ombros dos incautos”. Então pensamos, de que natureza é esse exercício de liberdade?! E essa liberdade é a mesma que contribui para que uma manifestação de descontentamento se transforme em prejuízo sem medida com uma greve na educação por mais de cinquenta dias, o que onera as gerações futuras em tal monta que será impossível, inimaginável, recuperar a própria vida de um obscuro caos de interesse partidário.

Quais experiências vivenciarão como resultado dessa performance?

“As gotas caem,

elas têm que cair,

impactando com pedras,

perfurando rochas,

que exibem a penúria e o abandono”.

Pois assim estamos diante dessa ausência de sensibilidade que reconheça a educação como a atitude mais importante de nossa sociedade. Uma educação sem cultura da própria educação?!

O Estado do Ceará pode e sabe apreender de sua natureza e de suas aspirações, é um povo que exercita com dignidade o direito de expressão, é um povo que comunga no silêncio seu espanto, suas desilusões, mas é também um povo que sonha, um sonho inteiro em sua plenitude, parafraseando Camelo Ponte.

 

Eduardo Candido Gomes

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Uma resposta para “Revolução com lápis e papel

  1. J. Camelo Pontes.
    Realmente fica bem na foto.
    será que sua conduta com o próximo é pautado dentro dos pilares da ética?

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