Arquivo do dia: outubro 22, 2011

Sobre Caminhos (…) – J. Camelo Ponte

J. Camelo Ponte por M. Garrot

 

A literatura de J. Camelo Ponte faz emergir vibrantes matizes na poesia da vida, ampliando, ilimitadamente, o leque de oportunidades e de leituras de mundo em todos que a vivenciam.

A observância e o rigoroso manuseio de sua matéria-prima o tornam hábil em descrever as nuanças dos caminhos que percorre, desde suas origens físicas a suas fontes metafísicas.

A simplicidade requintada de suas palavras, a elegância desprovida de soberba de seus pensamentos, a sofisticação de sua genialidade promovem em seus leitores a busca pelo caminho, o caminho pelo aprendizado, o aprendizado como desdobramento epistemológico, pois sem ele a vida é nada.

Somente o inquieto, o curioso pelo desconhecido, o idealista que não se contenta com o sonhar abstrato, tem o que é necessário para ser recompensado com garbosas flores adornadas por sedosas pétalas em vastos campos, cuidadosamente retocados pela graça do tempo, que ornamentam o espaço contemplado pelos desbravadores da vida.

“O próprio viver é morrer, porque não temos um dia na vida que não tenhamos, nisso, um a menos nela”, disse Fernando Pessoa, que complementou: “não conto gozar a vida, nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser meu corpo e minha alma a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade, ainda que para isso tenha de a perder como minha”.

Assim vejo J. Camelo Ponte, descrito em cada vírgula de Pessoa.

 

Eduardo Candido Gomes