Hotel Rwanda

Hotel Ruanda, ou Hotel Rwanda como em seu título original, conta a história de Paul Rusesabagina, gerente de um hotel cinco estrelas, localizado em Kigali, capital do país centro-africano. Ele leva uma vida confortável junto de sua família e mantém relações sociais bastante amistosas com pessoas deveras influentes por conta de seu cargo executivo.

Após o fatídico acidente que culminou com a morte do presidente Juvenal Habyarimana, de origem hutu, a vida de Rusesabagina e de todo o país mudaria drasticamente; esse fato marcou o início de um dos momentos mais tristes da história, que acarretaria o assassinato de aproximadamente um milhão de pessoas em pouco mais de cem dias.

O filme foca o período em que a milícia ruandesa, formada por hutus, decide exterminar a minoria tútsi, assim como seu posterior conflito armado com rebeldes tútsis que haviam invadido as fronteiras ruandesas, vindos de Uganda, onde estavam exilados.

Em meio à desgraça, ao ódio e à intolerância, surge o personagem principal, que muda a forma com que o mundo enxergaria o conflito; Paul, que é hutu, é casado com Tatiana, de origem tútsi, e têm quatro filhos: Roger, Diana, Lys e Tresor. Sua luta, inicialmente, é pela sobrevivência de sua família e de seus amigos mais próximos.

Para os milicianos genocidas, Rusesabagina, é visto como um traidor por abrigar e defender “as baratas”, forma pejorativa que usavam para se referir à minoria.

Com a fuga dos cidadãos estrangeiros, retirados do país pelas forças militares europeias, o hotel se transforma em um campo de refugiados em meio à carnificina que ocorria fora dos muros do Lês Mille Collines. Nenhuma superpotência ou organização mundial enviou qualquer tipo de auxílio aos ruandeses, sendo que o efetivo militar das Nações Unidas, em meio ao ápice do massacre, era de 300 soldados, que já estavam no país antes do início da crise e agora precisavam proteger aos cidadãos, que eram perseguidos, em toda sua extensão territorial.

Rusesabagina utilizou a proximidade que mantinha devido aos mimos e às posteriores propinas oferecidas ao general do Exército Áugustin Bizimungu, para negociar a segurança nos arredores do hotel, o que impediu a invasão e consequente morte das 1.268 pessoas que estavam sob sua guarda. Esses refugiados, posteriormente, foram transportados de forma clandestina, por veículos das Nações Unidas, para além das linhas rebeldes, que avançavam encurralando a milícia, o que os deixou a salvo da ira dos facões e das foices inimigos.

O filme é excelente e deu a Don Cheadle uma indicação ao Oscar de Melhor Ator, como o intérprete de Paul Rusesabagina, que hoje vive com a família em Bruxelas, na Bélgica, e ficou marcado para a história como o Oskar Schindler de Ruanda.

Direção: Terry George

Elenco: Don Cheadle, Sophie Okonedo, Joaquin Phoenix, Nick Nolte

Duração: 121 minutos

 

Maiores detalhes sobre a história de Ruanda podem ser obtidos em: https://multifocais.wordpress.com/2011/08/27/dos-desastres-da-colonizacao-ao-genocidio-de-ruanda-2/

 

Eduardo Candido Gomes

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5 Respostas para “Hotel Rwanda

  1. Muito bom! Gostei muito.

  2. De fato o filme procura se distanciar de cliches e nos desvela, a cada frame um herói humano, aquele cidadão comum que enfrenta seus medos mais profundos para realizar uma tarefa engendrada pelas circunstâncias que surgem a cada etapa do conflito.

    Fico feliz que tenha gostado do texto Kiko.

    Um Abraço,

    Edu

  3. Esse filme é sensacional, totalmente avassalador e sincero. Interessante como ele fez a imagem de herói de Paul, mas de forma sincera, mostrando que ele se tornou herói de uma forma meio sem querer. As coisas foram acontecendo ao seu redor e ele apenas agiu da maneira que acreditava ser a melhor.

    Não podemos esquecer de dizer que o filme menciona, e responsabiliza, os países europeus pelos conflitos históricos que acontecem na África.

    E isso é a beleza do filme: não é m filme melo drama, comercial, heroico hollywoodiano…

    Parabéns pelo texto, e pelo gosto cinematográfico… excelente..

    Grande abraço

  4. Matheus,

    Esse foi um dos melhores filmes que eu já vi em minha vida, pois é um daqueles que nos sacode bruscamente, que nos faz rever prioridades e a magnitude de nossos problemas.

    Na verdade nos envergonha diante das reclamações vazias perante a vida, diante das necessidades insignificantes que acreditamos serem fundamentais, enquanto há fatos constrangedores, como esse, ocorrendo com povos inteiros ao alcance dos olhos do mundo, mas que por não terem, talvez, riqueza mineral suficiente em seus solos, passam à margem dos noticiários mundiais e da intervenção de órgãos multinacionais.

    É uma situação bastante triste que precisa ser de conhecimento coletivo para que não torne a ocorrer com a mesma dimensão (…) apesar de fatos semelhantes, seguramente, ocorrerem nesse mesmo momento em diversos pontos do mundo.

    Eduardo Candido Gomes

  5. Nossa, eu nunca tinha ouvido falar desse filme. Só pelo Joaquin Phoenix no elenco me deu vontade de ver. Gosto muito da atuação dele. Mas confesso que, apesar da análise sua ter ficado genial, eu não sei se conseguiria ver esse filme em um dia “leve e comum”. É um tema mais pesado e agressivo. Eu teria que ver com mais calma.

    Parabéns pelo texto. 😀

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